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Saúde animal

Anemia Infecciosa Equina pode afetar o desempenho de toda tropa

04/11/2017 | Por Tiago Soares

A Anemia Infecciosa Equina (AIE), também conhecida por febre-do-pântano, é uma doença cosmopolita que apresenta como agente etiológico um retrovírus englobado na subfamília do Lentivirus pertencente à família Retroviridae, que acomete os equídeos.
Ainda que todas as espécies e raças de equídeos sejam atingidas, animais subnutridos, parasitados e debilitados apresentam maior predisposição. Embora esteja espalhada pelo mundo todo, é mais prevalente em áreas úmidas e pantanosas, locais onde está concentrado um grande número de vetores.
A transmissão pode ser do tipo vertical, ou seja, da mãe para o feto durante a gestação, ou horizontal, através de fômites, leite materno, sêmen ou insetos hematófagos, sendo que nesse último caso a transmissão do vírus normalmente está ligada com a transferência de sangue de um cavalo contaminado para um animal sadio.
Os insetos hematófagos são os principais responsáveis pela transmissão da AIE, na cadeia natural da doença. Diversas espécies de dípteros hematófagos estão envolvidos na transmissão mecânica, como as moscas, mosquitos e mutucas, sendo este último (os tabanídeos) o de maior importância.
As manifestações clínicas da AIE podem ser classificadas como aguda ou crônica. Contudo, o vírus pode ser encontrado na corrente sanguínea de animais sem provocar sintomas.
A forma aguda causa febre, que pode chegar até 40,6°C; respiração acelerada; prostração; debilidade nas patas, sendo o peso do corpo transferido de uma pata para outra; deslocamento dos membros posteriores para diante; inapetência e emagrecimento progressivo. Caso o animal não morra dentro de 3 a 5 dias, a afecção pode tornar-se crônica.
Na forma crônica apresenta ataques com intervalos que variam de dias, semanas ou meses. Nos casos de intervalo curto, o animal evolui para óbito dentro de algumas semanas. Com o ataque, ocorre maciça destruição de glóbulos vermelhos do sangue, resultando em anemia.
O diagnóstico laboratorial apresenta importância fundamental na detecção de animais portadores da AIE. O primeiro teste utilizado nesse diagnóstico foi a imunodifusão em gel de Agar (IDGA). Também tem sido descrito testes mais sensíveis e que conseguem detectar anticorpos contra essa doença, como os baseados na técnica de ELISA.
Ainda não foi elucidado um tratamento eficaz. Deste modo, o Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA) preconiza o sacrifício ou interdição da propriedade, quando for detectado foco de AIE.
Casos recentes
O desempenho físico de cavalos é fortemente prejudicado pela anemia infecciosa equina (AIE). A descoberta foi feita por estudo da doença imunodepressora que atinge os equídeos (cavalos, jumentos, burros e mulas), confirmando os efeitos negativos causados pela enfermidade em cavalos do Pantanal.
Foram investigados animais usados no manejo de gado em fazendas da região. A iniciativa, liderada pela pesquisadora Márcia Furlan, da Embrapa Pantanal (MS), é desenvolvida desde 2013 e finaliza agora os primeiros resultados. "Essa doença é viral e não tem cura. Uma vez que o animal esteja contaminado, vai estar sempre contaminado", diz a pesquisadora.
A pesquisa envolveu ainda o trabalho da pesquisadora Adalgiza Carneiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo Adalgiza, a equipe comparou o desempenho físico de um grupo de cavalos sadios com o de um grupo infectado em duas fazendas pantaneiras.
O objetivo era examinar se a doença prejudica a realização da principal atividade desses animais na região, que é o manejo do rebanho na bovinocultura de corte. Os testes foram aplicados em dois grupos homogêneos de cavalos da raça Pantaneira, com avaliações de intensidade progressiva – que simularam a rotina de trabalho dos animais na região.